sábado, 16 de agosto de 2008

Descubra o Amor


Pegue um sorriso
E doe-o a quem jamais o teve.
Pegue um raio de sol
E faça-o voar lá onde reina a noite.
Descubra uma fonte
E faça banhar-se quem vive no lodo.
Pegue uma lágrima
E ponha-a no rosto de quem jamais chorou.
Pegue a coragem
E ponha-a no ânimo de quem não sabe lutar.
Descubra a vida
E narre-a a quem não sabe entendê-la.
Pegue a esperança
E viva na sua luz.
Pegue a bondade
E doe-a a quem não sabe doar.
Descubra o amor
E faça-o conhecer ao mundo.

(Mahatma Gandhi)

Baseada em uma história zen



Ouvi contar que um homem estava viajando de trem pela primeira vez. Ele era um camponês. Estava carregando a bagagem na cabeça, e pensava: Se eu a colocar no chão, será muito peso para o trem carregar, e eu só paguei para mim. Comprei o bilhete, mas não paguei nada pela bagagem. Por isso, ele estava carregando sua bagagem na cabeça. O trem estava carregando o homem e sua bagagem e, quer ele a carregasse na cabeça, quer a colocasse no chão, não faria nenhuma diferença para o trem.
Sua mente é uma bagagem desnecessária. Não faz nenhuma diferença para essa existência que está carregando você. Você está carregando um peso desnecessário. Abandone-o. As árvores existem sem a mente, e de maneira mais bela que qualquer ser humano; os pássaros existem sem a mente, e num estado mais extático do que qualquer ser humano. Veja as crianças que ainda não são civilizadas, que ainda são selvagens. Elas existem sem a mente. ... Não há necessidade dessa mente.
O mundo prossegue sem ela. Por que você a está carregando? Está pensando que será muito peso para Deus, para a existência? Quando você consegue eliminar a mente, ainda que por um minuto, toda a sua existência é transformada. Você entra numa nova dimensão, a dimensão da leveza.
E é isso: asas para voar céu afora — a ausência de peso lhe dá essas asas; e raízes para dentro da terra — uma base, um centro. A terra e o céu. São duas partes do todo. Nesta vida, na chamada vida cotidiana, você deve estar enraizado; e em seu espaço interno, na vida espiritual, você deve ser leve, móvel, fluido, flutuante. ... Uma criança tirada à força será feia, e poderá morrer. Simplesmente, deixe que eu o faça. A criança está ai; você já está prenhe. Todos estão prenhes de Deus. A criança está ai, e você já a carregou por muito tempo. O período de nove meses já passou há muito. Talvez seja esta a causa da sua angústia — você está carregando em seu ventre algo que precisa nascer, que precisa vir para fora, precisa ser dado à luz.
Imagine uma mulher, uma mãe, carregando uma criança em seu ventre, depois do nono mês. Será cada vez mais difícil de suportar e, se o nascimento não acontecer, a mãe morrerá, pois não poderá agüentar. Talvez seja esta a razão de você ter tanta ansiedade, angústia, tensão. Algo precisa nascer de você; algo precisa ser gerado do seu ventre.
(Bhagwan Shree Rajneesh - Osho)

sexta-feira, 8 de agosto de 2008


“Poucos sabem que o reino de Deus inclui o reino das satisfações mundanas.
O reino divino estende-se ao terrestre, mas este, ilusório por natureza,
não contém a essência da Realidade.”
(Mahavatar Bábaji)

A vida vista de longe

Os cientistas da Terra é que devem ir em busca dos ETs


"A vida busca a vida", escreveu o celebrado astrônomo e divulgador de ciência Carl Sagan. Sendo assim, é no mínimo curioso que ainda não tenhamos recebido visitas de extraterrestres.
Afinal, mesmo se nos limitarmos à nossa galáxia, a ilha de cerca de 300 bilhões de estrelas da qual o Sol e os seus planetas fazem parte, há estrelas e planetas demais para que nenhum tenha desenvolvido vida, incluindo a mais rara vida inteligente. Esse é o famoso paradoxo de Fermi: dado o número de estrelas da Via Láctea e os seus 10 bilhões de anos (o dobro da idade do Sol), os ETs teriam tido tempo de sobra para desenvolver tecnologias capazes de cruzar as enormes distâncias interestelares e vir nos visitar. E a verdade é que, tirando as hipóteses absurdas de Erich von Däniken, segundo a qual ETs estiveram já por aqui e ajudaram a construir as pirâmides egípcias, as linhas de Nazca e outros projetos grandiosos de nossos antepassados (e descontando os relatos de indivíduos sem maior prova do que narrativas ou fotos suspeitas), os ETs nunca estiveram por aqui. Se estiveram, não parecem estar interessados em contatar cientistas ou políticos para um papo mais sério, limitando-se a exibir suas espaçonaves nas noites e a realizar experimentos com o aparelho reprodutor humano.
Dada esta crua realidade, são os cientistas da Terra que devem ir em busca dos ETs. O problema que enfrentamos são as enormes distâncias. Infelizmente, o espaço entre as estrelas é muito grande e essencialmente vazio. Temos procurado por vida na nossa vizinhança, nos planetas e nas luas do Sistema Solar. Mas, até agora, não encontramos nada, e é pouco provável que encontremos mesmo uma mísera bactéria no subsolo marciano, ou no oceano sob a espessa camada de gelo que cobre Europa, uma das luas de Júpiter. A vida, mesmo não sendo exclusividade do nosso planeta, é rara.
Tomemos como exemplo nossa estrela vizinha, a Alfa-Centauro. Em números arredondados, ela fica a 5 anos-luz do Sol: a luz demora cinco anos de lá até aqui. Isso equivale a uma distância aproximada de 50 trilhões de quilômetros (5 x 1013km). Com tecnologias atuais, em que espaçonaves atingem velocidades de cerca de 50 mil km/h, demoraríamos em torno de 115 mil anos para chegar lá... Obviamente não será esse o caminho para descobrirmos se existe vida fora da Terra. Seria realmente fascinante se inteligências extraterrestres tivessem desenvolvido tecnologias capazes de cobrir essas distâncias com mais eficiência. Por que eles não vêm aqui nos explicar como se faz? O jeito é procurarmos por vida remotamente. ETs que tivessem telescópios dotados com espectrógrafos poderiam analisar a composição química da atmosfera terrestre. Veriam a enorme quantidade de oxigênio e água; veriam ozônio, metano, óxido nitroso, e concluiriam que aqui existem ciclos de conversão de energia solar em metabolismo típico de seres vivos. Oxigênio, em particular, é um excelente sinal de vida. Em geral, quando presente, é rapidamente usado na oxidação de rochas. Livre, como por aqui, é prova de que algo o está produzindo com muita eficiência. Algo vivo.
Vários projetos futuros farão o mesmo; procurarão por vida na atmosfera de planetas girando em torno de outras estrelas. A vida, se existir, dependerá da estrela que lhe provê energia; estrelas mais fracas do que o Sol poderão ter plantas pretas, para fixar mais energia; nas mais fortes, as plantas terão de refletir parte da luz; nas estrelas que emitem muito ultravioleta, a vida terá que ser embaixo d'água para se proteger da radiação. Se vida busca vida, parece que somos nós que teremos que encontrá-la.

(MARCELO GLEISER é professor de física teórica e autor do livro "A Harmonia do Mundo")

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Medo


" O medo é uma sombra que o temor não desvia
O medo é uma armadilha que pegou o amor
O medo é uma chave, que apagou a vida
O medo é uma brecha que fez crescer a dor"
(Lenine)

No interior do indivíduo, o fator decisivo da liberdade


A idéia que defendo é de que o processo de libertação individual é perfeitamente passível de ser iniciado dentro de uma sociedade repressiva. Isso principalmente porque os poderes de que o meio externo dispõe para nos oprimir são bastante mais modestos que aqueles com os quais nos ameaçam. Se as pessoas livres forem criaturas mais livres e serenas, elas influirão sobre as outras através do exemplo pessoal, de modo a compor uma corrente que abalará rapidamente os alicerces de uma sociedade como a nossa, principalmente porque os que a governam são criaturas infelizes, amarguradas e insatisfeitas, apesar de se empenharem muito para se mostrar realizadas e contentes.
Dessa forma, há muito tempo acredito que a grande revolução que nós, como geração, podemos fazer é a de buscar nos entendermos e saber dos mecanismos de nossa vida psíquica, sempre com o objetivo de construir um modo de vida interior consistente e o mais possível coerente com nossas condutas. A liberdade, para mim, consiste na alegria interior derivada desta coerência entre pensamento e conduta, alegria que só pode ser atingida no final de uma longa e penosa introspecção, através da qual teremos de nos deparar com muitas dolorosas verdades das quais sempre tentamos nos esquivar.
Liberdade não é um tipo determinado de pensar ou agir. Se se definir a liberdade dessa maneira, se estará imediatamente contradizendo sua efetiva significação. Liberdade é o prazer erótico – talvez a mais genuína e gratificante manifestação da vaidade humana – derivado da coerência. A perda da coerência entre pensamento e conduta implica a impossibilidade de experimentar este prazer fundamental, ainda que ela seja derivada de complexas e sofisticadas racionalizações. Como cada cérebro é composto de bilhões de células e foi submetido a experiências peculiares, nada mais provável que cada pessoa chegar a resultados de reflexão muito próprios e essencialmente diferentes das outras. Para ser livre a pessoa terá de se governar por suas conclusões, num processo de permanentes mudanças, posto que novas experiências determinam alterações em nossas convicções.
Dessa forma, uma sociedade que contenha seres livres terá de se acostumar ao respeito pelas diferenças individuais, dado que definitivamente não somos todos iguais. Pessoas livres são antes de tudo respeitadoras do modo de ser e de pensar das outras. De nada adianta certas pessoas fazerem um discurso louvador da liberdade se o próprio conteúdo de suas falas deixa absolutamente claro o desrespeito – e até mesmo a irritação – pelas diferenças de opinião. Tais pessoas são liberais desde que todo o mundo concorde com seus pontos de vista, de modo que é mais que evidente que vivem uma grave contradição, regidas por uma idéia de superioridade através da qual consideram suas idéias mais brilhantes e mais justas.
E são essas pessoas, portadoras de forte tendência totalitária derivada de uma espécie de convicção messiânica (os escolhidos para salvar seus povos) que lhes confere uma significância toda especial, as que mais acreditam nos poderes repressores da sociedade, que passa a ser, portanto, o objeto de seu ódio. Sem perceber, acabam por superestimar tais poderes, o que na prática significa amedrontar as pessoas no sentido de que aquelas que tentarem ousar condutas não convencionais estariam mesmo sujeitas a fortes represálias, nas quais, diga-se de passagem, não acredito. Gostaria de reafirmar mais uma vez minha convicção de que contribuir à sociedade, à família e até mesmo às experiências traumáticas da infância poderes que elas não possuem implica fazer o jogo da ordem social estabelecida, uma vez que serve para acovardar as pessoas – especialmente os jovens – para busca de soluções individuais mais consistentes, num espaço de liberdade que uma sociedade como a nossa é obrigada a deixar, ainda que contra sua vontade.
(Flávio Gikovate)