quarta-feira, 28 de maio de 2008

O sabor das massas e das maçãs


" Conhecer as manhas e as manhãs

O sabor das massas e das maçãs

É preciso amor pra poder pulsar

É preciso paz pra poder sorrir

É preciso chuva para florir "

(Tocando em frente - Almir Sater)

Palavras

Um personagem de uma novela antiga, dizia, sempre antes de seu discurso, a frase: "Palavras são palavras, nada mais que palavras".

Será? Um ditado suíço diz que "as palavras, como as abelhas, têm mel e ferrão".

Quantas e quantas vezes temos que nos retratar e pedir perdão por palavras proferidas em horas impróprias, e até mesmo palavras impróprias. Palavras que ferem, que machucam, que replicam um xingamento, uma reprimenda, um distrato, um maldizer.

Como é bom quando falamos palavras que constroem, que mudam rumos, que dão novo alento, incentivam, aquecem o coração de alguém, e dão esperança!

Alguém já parou para avaliar a quantidade de más e boas palavras proferidas e fazer o balanço ao final de um dia? Além disso, é costume analisarmos o semblante, a fisionomia, o estado das pessoas que nos ouve após as proferidas palavras?

É certo que, como falou Boff, "todo ponto de vista é a vista de um ponto. Porque cada um lê e relê com os olhos que tem... Compreende e interpreta a partir do mundo que habita". Daí, a possibilidade de ser mal interpretado, mal entendido. Às vezes, até por distração, podemos magoar as pessoas, principalmente as que nos cercam.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Brinquedo em Rubem Alves

"Brinquedo não serve para nada. (...) O brinquedo é uma atividade inútil. E, no entanto, o corpo quer voltar a ele. Por quê? Por que o brinquedo, sem produzir qualquer utilidade, produz alegria. Felicidade é brincar. E sabem por quê? Porque no brinquedo nos encontramos com aquilo que amamos. No brinquedo o corpo faz amor com objetos de seu desejo. Pode ser qualquer coisa: ler um poema, escutar uma música, cozinhar, jogar xadrez, cultivar uma flor, conversar fiado, tocar flauta, empinar papagaio, nadar, ficar de barriga para o ar olhando as nuvens que navegam, acariciar o corpo da pessoa amada . coisas que não levam a nada. Amar é brincar.
Não leva a nada. Porque não é para levar a nada. Quem brinca já chegou. Coisas que levam a outras, úteis, indicam que ainda estamos a caminho: ainda não abraçamos o objeto amado. Mas no brinquedo temos uma amostra do Paraíso.
A única finalidade do saber adulto é permitir que a criança que mora em nós continue a brincar.. "

(Rubem Alves -
Tudo o que é pesado flutua no ar - Ed. Ouro Preto. 1994)

O Espanto em Cortella

"É necessário não menosprezar a atitude inovadora daquele que, como as crianças, ainda se admira que as coisas sejam como são, em vez de fingir que espantoso seria se não fossem assim...

O que não se pode perder, porém, é a capacidade de ficar espantado; essa perda nos leva a achar tudo muito óbvio e rotineiro, impedindo a admiração que conduz à reflexão criadora. É o famoso (e ambíguo) "parar para pensar" e, claro, admirar."

(Mario Sergio Cortella em 'Não nascemos prontos!')

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Velhice para Cícero

"... A vida segue um curso muito preciso e a natureza dota cada idade de qualidades próprias [...]. A natureza fixa os limites convenientes da vida como qualquer coisa. Quanto à velhice, em suma, ela é cena final dessa peça que constitui a existência [...]." (Cícero, 44 a.C)

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Sobre a melancolia

A melancolia (palavra que em meados do século 19 começa a ser substituída pelo termo depressão) é considerada a doença mental contemporânea, e cabe indagar como nossa sociedade facilita o surgimento dessa patologia. Não faremos distinção entre melancolia e depressão. Para muitos, a depressão é uma patologia orgânica, que transparece psicologicamente como tristeza profunda ou melancolia. Ou seja, esta é um sintoma daquela. Em contrapartida, para Freud, não há diferença entre uma e outra. Ambas exprimem o mesmo fenômeno, embora possamos considerar a depressão um sintoma da melancolia, uma vez que a palavra "depressão" significa rebaixamento, ou seja, uma diminuição das atividades, que pode ser tanto orgânica quanto psíquica.

Nossa sociedade alimenta o gosto pelo efêmero; passado e futuro não são referências psicológicas e sociais predominantes, mas sim o presente como instante fugaz. Porém, a ordem humana surge exatamente como capacidade para simbolizar, isto é, para lidar com o ausente, e a primeira relação com a ausência é dada pela relação com o outro sob a forma do tempo, seja como relação com o morto - relação com o que se tornou ausente - seja como relação com a natureza por meio do trabalho, que torna presente o que estava ausente. A temporalidade, relação com a ausência, é, assim, decisiva para a realização do trabalho do luto, e a impossibilidade dessa relação temporal é o que opera na melancolia e dificulta (quando não impede) o trabalho de sua superação. Ora, a sociedade do efêmero, do tempo reduzido ao instante presente fugaz abandonou a densidade e profundidade do tempo, desencadeando a impossibilidade de simbolizar a ausência e, portanto, gerando depressão, isto é, a melancolia.


(Luciana Chauí Berlinck - Psicanalista, mestre em filosofia pela USP)

(Publicado na Revista CULT – Ed. 124)

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Cada pessoa que passa em nossa vida

"Cada pessoa que passa em nossa vida, passa sozinha, é porque cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra .

Cada pessoa que passa em nossa vida passa sozinha, e não nos deixa só, porque deixa um pouco de si e leva um pouquinho de nós.

Essa é a mais bela responsabilidade da vida e a prova de que as pessoas não se encontram por acaso".

(Charles Chaplin)

domingo, 4 de maio de 2008

Impacto futuro das nossas decisões

Poucas pessoas estão atentas para o ritual de abertura de uma garrafa de champanhe. Descobre-se que há uma espécie de hino ao amor na remoção da cápsula de metal, no desprendimento do arame e subseqüente afrouxamento da rolha. E tudo, como aconselhava um francês: com um leve sussurro, jamais com um estampido para não permitir que o dióxido de carbono escape de forma prematura.

Por isso a rolha assume uma relevância especial no instante em que escolhemos, por exemplo, um vinho... E poucos associam a rolha ao plantio de uma árvore de nome sobreiro, que leva cerca de 40 anos para a extração da boa cortiça.

Sempre tive uma curiosidade especial, ao olhar grandes plantações de sobreiro: como é que alguém pode se dedicar ao cultivo de uma árvore que só renderá frutos econômicos para os filhos e netos? Mas essa maneira de raciocinar é tipicamente brasileira. Somos imediatistas por vocação. O agora conduz a nossa forma de existir. E em todos os aspectos. As generalizações, contudo, são perigosas. Há situações em que o futuro de alguém está atrelado a uma ação rápida e ao respeito que devemos ter pela dignidade do outro... Exceto casos dessa ordem – uma exceção à regra – temos pouco ou nenhum interesse com o impacto futuro das nossas decisões.

(Dayse de Vasconcelos Mayer - advogada e docente universitária)