quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O Mundo

Um homem da aldeia de Neguá, no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus. Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas.
—  O mundo é isso —  revelou —.  Um montão de gente,  um mar de fogueirinhas.
Cada pessoa brilha com  luz  própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e  fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo.
(O livro dos abraços  - Eduardo Galeano)

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