domingo, 18 de novembro de 2012

Imitando passarinho

É como a pequena história escrita por Miguel Coelho em homenagem a Brecht:
"Lá pelas tantas da fila, surgiu um tipo comum, sem fantasia - quase todos estavam fantasiados com seus melhores trapos...
- O que faz o senhor? gritou o aprendiz de produtor.
- Imito passarinho, respondeu o candidato.
- Ora essa, meu amigo, imitador de passarinho... é o que dá mais por aqui. É o tipo de habilidade idiota que o chefão não quer nem ouvir falar... Chega de passarinho!
- Mas eu imito passarinho, balbuciou timidamente o homem...

- Não atrapalha, olha só o tamanho da fila!... O homem, desconsolado, afastou-se da mesa do produtor, aproximou-se da janela aberta e saiu voando".

Pois é, lá saiu o candidato desafiando a imaginação dos medíocres com um talento sequer cogitado.
Os homens ainda não descobriram - ou não o querem - que o impossível pode não ser mais que a outra face da dúvida de si ou do outro.
O importante é conservar a capacidade de se abrir ao insólito, rompendo as grilhetas das rotinas mentais.

(Dayse de Vasconcelos - Opinião JC - 18/11/2012)

sábado, 10 de novembro de 2012

É preciso que haja vazios...





"A cabeça é como uma taça: pode estar cheia ou vazia.

Se a cabeça estiver cheia com sua próprias ideias, todas as maravilhas do mundo serão inúteis; elas derramarão pela borda, com a água derrama pelas bordas de um copo já cheio.

É preciso que haja vazios..."
         (Rubem Alves, no livro Presente)

Os vazios são as expectativas.
Devemos esperar mais.
Esperar.
Ter expectativas.
E não nos surpreender.