terça-feira, 29 de novembro de 2011

Espasmo do nascimento - II

"Então, subitamente, somos expulsos ou retirados, contra qualquer coisa que pudéssemos imaginar fosse a nossa vontade, do receptáculo em que estávamos tão bem acomodados.
http://www.natgeo.com.br/br/especiais/vida-no-ventre/fotos
De um mundo homogêneo, protegido, somos conduzidos a uma situação de pura estranheza. Nada mais de suavidades: o contato de nossa pele frágil, mesmo com o mais delicado dos tecidos com o qual possa nos envolver, será sempre um atrito. De uma só vez, nossa precária organização física terá de se ver com uma quantidade inusitada de novos estímulos e provocações. Teremos de inspirar ar, que entrará frio em nossos pulmões, em um atrito agressivo.  Acomodados em nosso berço, estamos, em um primeiro momento ao menos, em uma situação de enorme desconforto.  Tudo é estranho – luzes, cores, sons, sensações, posições, pesos, estímulos, nossos próprios órgãos chamados à vida autônoma – tudo chora, tudo é Outro. O mundo está para além de nós, vem a nós de forma desconfortável, mas, incisiva, inelutável, inegável.   E uma primeira lição decisiva e profundamente filosófica emerge já dessa multidão de experiências: nascer é atritar a realidade, e viver é atritar o real."

(Ricardo Timm de Souza  - Sobre a Construção do Sentido)


quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O Espasmo do Nascimento - I

"Estamos em um momento bem anterior.  Estamos nascendo.
Passamos vários meses no útero de nossa mãe.  Agora, aproxima-se o parto, o momento em que ela nos “dará à luz”.
http://www.sergioluz.com/
Na hipótese  de que a gestação tenha sido normal e nossa mãe, bem como nosso meio familiar e social, tenha conseguido  nos preservar  de choques e ataques de doenças e de outros desconfortos , a vida no útero é bastante protegida. 
Um líquido na temperatura certa nos envolve, a nutrição e a respiração estão garantidas, a posição no espaço é, por assim dizer, “absoluta” (na medida em que não temos de lutar constantemente para nos mantermos “aprumados”), a quantidade de luz é adequada para nossos frágeis olhos, e a de som para os nossos ouvidos. 
Há espaço e condições para que nosso processo de formação chegue a bom termo e para que nossos processos fisiológicos se desenvolvam e amadureçam. 
Temos, é verdade, uma vida interna intensa, sonhos e agitações, etc., mas pelo menos por “fora” estamos, em princípio, minimamente garantidos.  "
(Ricardo Timm de Souza  - Sobre a Construção do Sentido)


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Um grande acontecimento que nos transcende

"... A vida é construída por experiências de medo e alegria, de atos de exaltação e desilusão, de excitação e de embriaguez de sentimentos. Vida é também desespero, expectativa, tristeza, cólera, sentimento de abandono e tédio, ódio e ferocidade. Tudo isso faz parte da nossa humanidade. Há situações em que tudo se define sem a presença do desconforto e somos inundados por uma esperança extraordinária. Sentimo-nos cúmplices de um grande acontecimento que nos transcende."
( Dayse de Vasconcelos Mayer - professora universitária e advogada - JC - 30/10/11)

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

"É na escuta que o amor começa."

"O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranqüila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: "Se eu fosse você". A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina. Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção."
(O Amor que acende a Lua - Rubem Alves)