quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O Tempo - I


"... é preciso não ter pressa.  Afinal, 'um bom poema leva anos, cinco anos jogando bola, mais cinco estudando sânscrito, seis carregando pedra, nove namorando a vizinha'..., enfim, uma eternidade."  (Paulo Leminski)

O passar do tempo para o doente - cada dia a mais é um milagre de Deus, uma dádiva.  Mas, pode ser também um martírio, se existir a dor.

Para um presidiário - cada dia é uma enormidade.  Principalmente se estiver próximo o dia de sair, da liberdade.  Entretanto, pode ser tão rápido quanto um segundo (rápido demais) se estiver próximo o dia da execução.

Dez minutos para quem espera um ônibus na parada, em dia chuvoso, ou para quem espera a chegada da amada, não são os mesmos dez minutos de quem faz uma viagem de trem por uma região de beleza jamais vista.

Um minuto de diferença para quem conseguiu pegar a última barca do dia para Niterói, não é o mesmo minuto que a pizza permaneceu no forno.

Podemos achar que o tempo passa diferente em qualquer ocasião, se comparada com outra.

Para Santo Agostinho, "o que é o tempo? Se não me perguntam, eu sei. Mas, se me perguntam, então não sei mais o que é o tempo."

Mas, se este tempo for aproveitado em sua dimensão - função prazer (carpe diem) (o tempo urge), a função espaço (quanto tempo até chegar em casa?) representará o melhor local do mundo naquele instante.  "O melhor lugar do mundo é aqui e agora...", canta Gil.

Explico melhor.  

Se estivermos em um local que nos sentimos tranquilos e que 'estamos vivos', podemos, com esfoço mínimo, observar as maravilhas e sensações que cada momento nos apraz.  E este tempo passará a ser lembrado por toda a vida.   "Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que fez a tua rosa tão importante." (Saint-Exupery)

Agora, imagine a seguinte situação:

Uma jovem, a caminho do encontro com seu namorado, está em um ônibus cheio, em um engarrafamento.  Não tendo  o que fazer, pega um livro da bolsa e se delicia com a leitura do final emocionante. Até que chega ao local do encontro.
Por sua vez, o namorado, à margem da lagoa (à beira mar) com a lua em esplendor com o mar prateado, espera, além do horário estipulado por mais quinze minutos.

- Por que você demorou tanto?

- Não fui eu que demorei. Foi o tempo!

(by Correia)

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