sábado, 13 de junho de 2009

Don´t worry...


Three Little Birds

Don't worry about a thing,
'Cause every little thing
Gonna be all right
(...)
Rise up this morning
Smile with the rising sun
Three little birds
It's by my doorstep
Singing sweet songs
Of melodies pure and true
Sayin',"This is my message to you"...
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TRÊS PEQUENOS PÁSSAROS

Não se preocupe com qualquer coisa
Porque tudo vai estar bem.
Não se preocupe com qualquer coisa
(...)
Sorri com o sol nascendo,
Três passarinhos
Pousaram na minha porta
Cantando doces músicas
De melodias puras e verdadeiras,
Dizendo, "Esta é minha mensagem para você"...

(Three Little Birds - Bob Marley)

Resolvendo o problema do "futebol sem arte"


Nem todos gostam da fama. Tenho um amigo assim. O cara é tão obsessivo pelo anonimato que se pudesse desenhava um contorno no lugar da foto no RG. Razão pela qual vamos preservá-lo por aqui.

Mas ao contrário da sua crença na invisibilidade, esse é um sujeito de idéias fulminantes. Essa semana ele apareceu lá em casa - como sempre, sem avisar - e foi logo dizendo:

- Resolvi o problema do futebol.

Antes que eu pudesse entender melhor a questão, ele decretou:

- É simples, é só acabar com os gols.

Não adiantava lhe enviar um olhar como se ele fosse louco, já estava acostumado com isso.

- O problema é justamente esse, jogar pelo resultado. Tira-se o resultado e sobra o quê?

No meu rosto nada mais do que um ponto de interrogação.

- O espetáculo, as jogadas, os dribles, enfim, o jogo em si.

E sem ninguém a lhe impedir, concluiu:

- Sem gol não tem retranca, não tem juiz ladrão, ou faltas violentas: tudo que é ruim no futebol.

Arrisquei perguntar como afinal se saberia quem venceria, mas ele já tinha a resposta na ponta da língua:

- Não se saberia. Aí é que está. O problema da vida é justamente esse, a busca de resultados. Em qualquer lugar, não só no futebol.

O sujeito parecia febril, no lugar dos olhos dois sóis ocupavam as cavidades oculares.

- Veja o frescobol, alguém já brigou jogando frescobol?

Eu disse que nunca soube. Ele concluiu com veemência:

- É porque ninguém ganha, ou melhor, ganham os dois que jogam.

E antes que eu dissesse qualquer coisa veio a frase definitiva:

- Chega dessa política liberal que só enxerga os resultados: é preciso frescobolizar o mundo.

E foi saindo, assim, sem avisar, como havia chegado. Eu é que tirasse minhas próprias conclusões. Ele não estava interessado em réplicas.

Fui atrás, lhe dei um tapinha nas costas e disse:

- Você está afiado hoje, hein? - Mas ele nem deu bola, elogios não o seduziam. Abriu a porta por conta própria e foi saindo.

Eu continuei procurando algo que o detivesse, só por teimosia.

Então eu disse, num exercício de drama - aquele tipo de drama que fica a um milímetro da farsa de tão exagerado:

- Só falta explicar o sentido da vida.

Isso o deteve: John Wayne numa remota rua empoeirada, provocado por um pele vermelha. Tal qual os mocinhos fazem, ele esperou que eu sacasse a arma primeiro.

- De onde viemos? (Perguntei eu.)

Ele quase riu, pelo jeito era algo em que já havia pensado muito, então disse:

- Não interessa.

- Para onde vamos?

- Também não.

E se mandou.

(Sujeito estranho - José Pedro Goulart - Zero Hora)