sábado, 28 de fevereiro de 2009

A Felicidade - II




"A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar"

(Vinícius de Morais)

Um persistente cio - I

François Truffaut [ Les quatre cents coups ] 1959

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"Ah, a tristeza de saber, no fim da leitura de certos livros, que nunca mais os leremos pela primeira vez, que não se repetirá jamais a sensação da primeira leitura..."
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É muito interessante observar o quanto a ditadura da velocidade e do "não tenho tempo a perder" retira do cotidiano das metrópoles (e de suas tristes simulações) uma das mais profundas maneiras de aproveitar, de fato, o tempo: a necessária paciência para a fruição, quase degustação lenta, dos movimentos de busca intensa do prazer originário do universo da leitura. Essa insana tacocracia, vivida sem reflexão, produz uma amarga rejeição à eroticidade inerente aos momentos nos quais é preciso entrar no cio emanado da leitura prazerosa, do mergulho intencional e povoadamente solitário que nos atinge quando nos abandonamos aos sussurros que vêm de dentro.

Por isso, ao escrever "A Arte de Amar" (nela incluída a capacidade de não admitir a banalização do erótico no sexual), o psicanalista alemão Eric Fromm — nas suas geniais tentativas de juntar as concepções de Marx e Freud, que tanto influenciaram a contracultura dos anos 1970 — nos advertiu de que "o homem moderno pensa perder algo — tempo — quando não faz as coisas depressa; entretanto não sabe o que fazer com o tempo que ganha, a não ser matá-lo".


(Mario Sergio Cortella, filósofo, atua como comentarista, debatedor e âncora em programas de TV e Rádio)

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Era de Aquarius


De acordo com Jude Currivan (PhD em Cosmologia e Terapeuta), a partir de 14 de fevereiro de 2009, estaremos entrando na Era de Aquárius

Na data em que se comemora o dia de São Valentim (Valentines's Day) - padroeiro do Amor - Dia dos Namorados, nos EUA e Europa, estaremos concretizando os versos proféticos da música The Age of Aquarius (do Musical Hair de Milos Forman):


“When the Moon is in the seventh house
 and Jupiter aligns with Mars.
 Then peace will guide the planets
 and love will steer the stars.”

Neste dia, 14 de fevereiro de 2009, a Lua estará em Libra na sétima casa de relacionamentos e os planetas Júpiter e Marte estarão alinhados em Aquário na décima segunda casa de transformação espiritual, favorecendo a partir de então (aliado ao Consciente Coletivo): as manifestações de paz e amor, dando início ao alvorecer da Era de Aquário.

A União Astronômica Internacional ( e, pasmem, Carl Gustav Jung) só aguardam o nício da Era de Aquarius para o ano 2600). É esperar demais!!!

Veja aqui o clip The Age of Aquarius

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Aprender


"Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende.”
                                 (Leonardo da Vinci)





sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Luar



Que a gente precisa ver para crer
Diz o dito popular
Uma vez que existe só para ser visto
Se a gente não vê, não há

Se a noite inventa a escuridão
A luz inventa o luar ...

(A Gente Precisa Ver o Luar - Gilberto Gil)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Homenagem ao seu Centenário de Nascimento - 07 de fevereiro



“Um dos meus anseios

de chegar ao infinito

é a esperança de que,

ao menos lá,

as paralelas se encontrem.”


(Dom Hélder Câmara)


“Dom Helder, mais que pastor e profeta, foi um homem inteiro. Nele a humanidade reluzia na sua forma mais eminente. A inteireza humana se revela pelo coração. Seu coração tinha as dimensões do mundo. Foi o coração que o levou a amar incondicionalmente as pessoas, a natureza, o mundo e Deus. Demonstrava enternecimento para com cada pessoa que encontrava. Mas especialmente demonstrava ternura pelos pobres que abraçava como irmãos e irmãs.” (Leonardo Boff)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Fantasia



E se, de repente
A gente não sentisse
A dor que a gente finge
E sente
Se, de repente
A gente distraísse
O ferro do suplício
Ao som de uma canção
Então, eu te convidaria
Pra uma fantasia
Do meu violão

Canta, canta uma esperança
Canta, canta uma alegria
Canta mais

(Chico Buarque em "Fantasia")

O Homem que Caminhava sobre a Água



Um dervixe de mentalidade meio simplória, de uma escola austeramente piedosa, caminhava certo dia pela margem de um rio. Ia absorto, concentrado em problemas escolásticos e de natureza moral, pois era esta a forma assumida pelo ensino sufi na comunidade a que ele pertencia.

Equiparava-se ali a religiosidade emocional com a busca da Verdade essencial.

De repente, seus pensamentos foram interrompidos por um forte grito. Alguém estava repetindo o apelo dervixe.

- Isto carece de sentido - disse para si mesmo - pois está emitindo incorretamente as sílabas. Em vez de pronunciar 'ya hu', ele está dizendo 'u ya hu'.

Pensou de imediato que era seu dever, como estudante mais aplicado, corrigir aquela pessoa desafortunada, que talvez não tivesse tido a oportunidade de ser orientada corretamente, dai que estivesse, quem sabe, fazendo o melhor que podia para interpretar a idéia contida atrás dos sons.

Desse modo, alugou um bote e se acercou da ilhota que ficava do outro lado do rio e de onde parecia vir o chamado.

Foi encontrar, então, sentado numa cabana de juncos, um homem vestido com um manto dervixe, que movia a cabeça e os braços seguindo o ritmo da frase iniciatória.

- Meu amigo, - disse o dervixe que viera no bote -, estás pronunciando incorretamente a frase. Cabe a mim dizer-lhe isso, já que há mérito tanto para aquele que oferece como para o que aceita conselho. Eis como se pronuncia a frase, - E a disse então.

- Obrigado - disse humildemente o outro dervixe.

O primeiro dervixe voltou a seu barco, muito satisfeito por ter praticado uma boa ação. Afinal, já foi dito que um homem capaz de repetir a fórmula sagrada corretamente poderia inclusive caminhar sobre as ondas; algo que nunca presenciara, mas que alimentara sempre a esperança - por alguma razão desconhecida - de realizar.

Agora nenhum som proveniente da cabana de juncos se fazia ouvir, mas estava certo de que sua lição fora bem acolhida.

Foi então que escutou um vacilante 'u ya', começando o segundo dervixe a repetir a frase da mesma forma de antes...

Enquanto o primeiro dervixe pensava no que acontecia, refletindo sobre a perversidade dos seres humanos e sua persistência no erro, observou de súbito um estranho espetáculo. Deixando a ilhota, o outro dervixe se acercava dele caminhando sobre a superfície das águas...

Surpreso, o primeiro dervixe parou de remar. O outro chegou junto dele e disse:
- Irmão, lamento incomodá-lo, mas tive que vir aqui para perguntar-lhe sobre a maneira usual de pronunciar a repetição da fórmula como me ensiou, pois me é difícil recordá-la.

(Idries Shah em Histórias dos Dervixes)