domingo, 4 de maio de 2008

Impacto futuro das nossas decisões

Poucas pessoas estão atentas para o ritual de abertura de uma garrafa de champanhe. Descobre-se que há uma espécie de hino ao amor na remoção da cápsula de metal, no desprendimento do arame e subseqüente afrouxamento da rolha. E tudo, como aconselhava um francês: com um leve sussurro, jamais com um estampido para não permitir que o dióxido de carbono escape de forma prematura.

Por isso a rolha assume uma relevância especial no instante em que escolhemos, por exemplo, um vinho... E poucos associam a rolha ao plantio de uma árvore de nome sobreiro, que leva cerca de 40 anos para a extração da boa cortiça.

Sempre tive uma curiosidade especial, ao olhar grandes plantações de sobreiro: como é que alguém pode se dedicar ao cultivo de uma árvore que só renderá frutos econômicos para os filhos e netos? Mas essa maneira de raciocinar é tipicamente brasileira. Somos imediatistas por vocação. O agora conduz a nossa forma de existir. E em todos os aspectos. As generalizações, contudo, são perigosas. Há situações em que o futuro de alguém está atrelado a uma ação rápida e ao respeito que devemos ter pela dignidade do outro... Exceto casos dessa ordem – uma exceção à regra – temos pouco ou nenhum interesse com o impacto futuro das nossas decisões.

(Dayse de Vasconcelos Mayer - advogada e docente universitária)

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